sábado, 14 de setembro de 2013

Estranha Loucura

  "Prefiro pessoas viciadas em Jesus que em drogas."



  A virtude pode "enlouquecer" (sair de controle), virar vício.

 Por outro lado...

  Os vícios por caminhos complexos podem virar virtudes...uma “estranha loucura”.

  Atribuo minha falta de vícios ao reconhecimento do meu vazio existencial.

  Não tenho a ilusão que algo nessa vida me tornará pleno, feliz, então não busco essa "coisa", essa utopia.
  Se estou com muita fome comer uma ótima feijoada no almoço é a sensação de estar no "paraíso", mas no jantar vou querer outra coisa, repetir a feijoada não será agradável ou desejável não é mais a plenitude o paraíso.
   O que nos satisfaz de manhã nos entedia a tarde...

  Ignorar o vazio existencial, NÃO evita que ele faça parte da sua vida.

  Nunca conheci alguém que esteja sempre de bem com a vida, vivendo em plenitude...feliz.
  Os vícios vem na carona dessa busca para anular o vazio existencial, buscar a felicidade.

  Analisemos um vício comum, o de fofocar.
  O indivíduo está sem nada para fazer ou fazendo algo tedioso, começa a reparar na vida do colega ao lado ou alguém que esteja passando.
  Ele preenche aquele tédio, aquele vazio comentando a vida dos outros.
  Seu prazer está em observar as dificuldades dos outros assim ele se sente consolado em suas próprias dificuldades ou aliviado por não tê-las.

  Na religião seu vazio sempre será "remendado" com alguma crença:

  "Nesse momento difícil Deus me carrega no colo."

  Não que isso esteja acontecendo de fato, mas preencher sua mente com isso lhe traz algum conforto.
  Se nós humanos [com raras exceções] precisamos de vícios essas doutrinas que pregam amor, justiça, fraternidade, respeito...são um bom vicio.

  Os vícios por caminhos complexos podem virar “virtudes” ... no sentido de evitar um mal maior.

  Sem o vício da religião teríamos mais drogados, jogadores compulsivos, viciados em sexo ... viciados em dinheiro.

  A “solução” para que não precisemos das crenças como esse “freio moral” é reconhecermos que a vida precisa dessa “diferença de potencial”, precisamos aprender a conviver com o vazio, alguns conseguem isso sem grande dificuldade, outros com muita FILOSOFIA, outros... não abrem mão dos vícios.

   Me parece que o mal maior em acabarmos com as religiões sem colocar uma Filosofia de boa qualidade no lugar seria um contingente muito grande de deprimidos.

  Essa parte do pensamento é bem fácil expor.
  Hoje em dia está muito mais fácil satisfazermos nossos prazeres, por um lado isso é bom indica progresso, mas filosoficamente é complexo.
  Buscar o prazer mantém a mente em movimento e pequenas vitorias nos traz grandes emoções isso mantém a depressão a distância.
  Para quem ganha Mil reais por mês um bônus de 200 é algo que traz muita alegria é emocionante, quem ganha 5 mil os mesmos 200 reais não serão considerados grande coisa.

  Satisfazer o prazer atenua nossas emoções.
 [Essa é a chave desse texto]

  As emoções nos cegam para o vazio existencial, a atenuação das emoções nos faz perceber o vazio dentro do peito.

  Se você deseja muito sexualmente uma garota, o desejo toma conta da sua vida/mente.
  Se começa a namorar essa mulher o sexo se torna normal, até obrigatório.
  “Você tem que dar no couro.”
  Aquele desejo que preencheu sua mente em tantos momentos deixou de provocar grande emoção.
  Sua mente busca uma nova emoção ou encara o vazio existencial.

  Evidente que o que eu falei para homens vale para as mulheres.
  Aquele desejo por seu namorado que ocupava sua mente, com o tempo deixa de ser tão emocionante, é difícil encontrar uma mulher que não fingiu orgasmo só para o sexo terminar mais rápido.

  Quer outro exemplo sem ser sexo? Tudo bem.

  Antigamente você depois de começar a trabalhar levava uns 10 anos para comprar um automóvel e "ser feliz".
  Hoje com uns 2 anos de poupança consegue satisfazer esse prazer e atenuar essa emoção, claro que estou falando de pobres e remediados.
  O Capitalismo barateou bastante a produção de carros, muito mais gente tem acesso.
  Quem ganha melhor troca de carro a cada 3 anos em média.
  Isso faz que o Mercado fique inundado de carros “seminovos”.
  Os carros seminovos também são trocados inundando o Mercado de carros usados com preços bem accessíveis.
  Quero dizer que mesmo quem ganha pouco, com algum juízo, pode realizar em pouco tempo o sonho de ter uma carro ... mesmo que não seja dos melhores.

  Para o rico é ainda mais “chato”, o jovem rico tem a emoção do primeiro carro por lhe dar alguma independência, não é nem um prazer da conquista.
  O segundo carro é o segundo carro não dá a emoção, o "barato", do primeiro.

  Quando se trata de dinheiro, para preencher o vazio vamos atrás de emoções cada vez maiores/caras.
  Claro que isso tem um limite, para maioria de nós ele é bem curto, olhe a fatura do cartão de crédito...

  O amor nos traz fortes emoções, mas geralmente mais machuca do que cura alguma coisa.
  [O amor é um bilau de 30 cm calibre grosso ]

   "O amor não é um deus, nem um mortal, e sim um grande demônio."


  As drogas trazem algum alivio, mas seu efeito passa rápido e viver drogado não tem se demonstrado um bom negócio.

  O bom seria que conseguíssemos viver sem vícios, mas em se constatando essa impossibilidade a maioria das religiões são um bom vicio “se” conseguimos evitar o FANATISMO.

  Essa lógica entra em sua mente?


   


  Que religiosidade é uma viagem não resta dúvidas se é a melhor...
não posso decidir por você.


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