Minha filha Ellen está terminando o estágio, não sabe se aceita efetivação, me pediu conselhos.
Meditei sobre algumas variáveis:
1– Dinheiro
● Quem nasce em família endinheirada não precisa se
preocupar muito com isso.
Em geral a família tem alguma empresa, se o negócio
continuar rentável, se aninhar ali é sempre uma opção.
● Por vezes os pais não tem empresa, mas são funcionários
com alguma especialização e altos salários.
O indivíduo estuda em ótimas escolas, escolhe
uma profissão que lhe agrade e segue sem grandes problemas financeiros.
● Você nasceu em família
pobre?
Sua escola não foi das melhores?
Um bom caminho é fazer algum curso, entrar
numa empresa e “criar raízes”.
Isso possibilita alguma ascensão e salários melhores.
Você entra jovem, o pessoal que está na
chefia vai envelhecendo, se você trabalha bem conquista respeito/confiança.
Supervisão, chefia, diretoria ... podem
acontecer.
● Você nasceu em família muito pobre.
Por algum motivo estudou pouco, nem
concluiu o ensino fundamental.
Uma boa coisa é concluir pelo menos o ensino
fundamental e fazer algum curso que goste.
Depois é criar raízes em alguma empresa,
tentar se destacar.
2
- Paralelo a tudo isso, qualquer um pode iniciar o próprio negócio.
Evidente que quem tem mais capital tem mais
opções.
Mas a pessoa não tem culpa se nasceu em
condições melhores que você.
É mérito dos pais e
sorte dela.
Minhas filhas estão na classificação amarela.
Apesar de ter estudado eu nasci na vermelha.
Quem sabe meus netos alcancem a verde...
Olhando só para dinheiro meu posicionamento
seria fácil.
3 - Acontece que a vida é
muito mais que “ter ou ganhar dinheiro”.
Não acredito em felicidade,
mas desejo que minhas filhas cheguem o mais próximo disso possível.
Que tenham uma vida no geral muito satisfatória.
Se pensarem só em dinheiro ... isso não vai
rolar.
Minha filha trabalha em uma farmácia.
É isso mesmo que quer para sua vida?
O comércio é um campo interessante, muitos
gostam.
Minha filha tem que conhecer a si
mesma e perceber o quanto gosta ou tolera
a atual atividade, mesmo que no futuro chegue a gerência, se não tiver gosto para
coisa, não sei quanto o dinheiro será compensador.
Sinto na Ellen uma vocação mais “acadêmica”.
Desde pequena a vejo estudando muito, aprendendo
línguas, lendo livros...
Ela acredita que pode entrar na Unicamp, eu
não duvido.
Seria melhor tentar se dedicar ao que realmente
gosta.
Ao ser efetivada seu tempo de trabalho vai
aumentar, isso afeta demais a dedicação ao estudo.
Felizmente a Ellen não está em uma situação
que precise de dinheiro nesse momento.
Eu e minha esposa temos bancado bem suas
necessidades.
Ela é nova (17 anos) tem a “oportunidade” de poder
correr atrás dos seus sonhos sem ter que trazer dinheiro pra casa.
Cabe a
ela decidir quais são seus sonhos.
Quanto são realizáveis.
Meu papel de pai é dar o máximo apoio possível.
Tem outra questão...
Idade mínima para aposentadoria,
62 anos mulheres.
Até 2019 começar a trabalhar cedo tinha a
vantagem de se aposentar mais cedo.
Agora não.
Isso pode ser bom, de acordo como o jovem
estruturar a vida.
Minhas filhas vivem uma fase “mágica”. 😊
Jovens, saudáveis, sem filhos, pai e mãe para resolver
os problemas.
O único compromisso real das minhas filhas é
estudar e se preparar bem para o mercado de trabalho o resto é diversão.
Porque ter pressa para acabar com isso!?
Até agora o modelo era sacrificar um pouco a
juventude para se aposentar lá pelos 55 (média
de aposentadoria no Brasil) e “aproveitar
a vida”.
Na minha opinião tem que ocorrer uma mudança
de paradigma.
Aproveitar mais a juventude.
O que é melhor, mais lógico.
É a fase que temos mais energia/disposição,
tudo é novidade.
Chegar até os 55, 60 vivo ou com disposição (sem nenhuma doença desconfortável) não tem como ser garantido.
Se uma mulher começar a trabalhar mais “sério”
aos 27, aos 62 anos se aposenta com 35 anos de contribuição.
Se começar aos 20 são 42 anos de
contribuição.
Com mais tempo de contribuição o valor da sua
aposentadoria pode ser um pouco maior, mas a vida não é só dinheiro...
Aproveitar melhor a juventude, a “fase mágica”,
não
tem preço.
Faça uma poupança/investimento
de segurança e tudo vai ficar bem.
Lembrando que o tempo de contribuição mínima é
de apenas 15 anos para mulheres.
Compensa você estudar mais, investir em uma
carreira, fazer o que gosta, aproveitar a juventude.
Uma dica para você pai ou jovem que faz
alguns “bicos”.
Mesmo sem estar trabalhando formalmente é possível
contribuir com a previdência, conta como tempo de contribuição.
Me parece que o valor mais baixo é 11% do salário
mínimo.
Cerca de 128 reais por mês (ano 2020).
Desconheço um plano de previdência mais
barato e garantido.
A mensalidade da academia ou uma noite de
balada, em geral custam mais que isso.
O jovem pode ir pagando esse carnê ou você pai ter mais esse cuidado com o futuro do seu filho.
O jovem pode ir pagando esse carnê ou você pai ter mais esse cuidado com o futuro do seu filho.
Tempo
mínimo de contribuição para se aposentar por idade:
Mulheres 15 anos de contribuição.
Homens, o tempo mínimo de contribuição vai
depender de quando se filiou ao INSS.
Se foi antes da reforma, o tempo mínimo de
pagamentos ao INSS é de 15 anos.
Se foi depois, é necessário contribuir por
pelo menos 20 anos
Após a reforma, quando o segurado atingir todos os requisitos, terá direito a
60% do valor integral da aposentadoria, que poderá ser acrescido de 1% a cada
ano excedente de contribuição.
Exemplo:
Uma mulher com média salarial de R$ 3.000 e
15 anos de contribuição receberia R$ 1.800 de aposentadoria.
Com 20 anos de contribuição, receberia R$
2.100,
Com 35 anos de contribuição, ganharia R$
3.000
Um homem com média salarial de R$ 3.000 e 15
anos de contribuição receberia R$ 1.800 de aposentadoria.
O valor continua o mesmo até os 20 anos de
contribuição.
Com 25 anos de pagamentos ao INSS, ele
ganharia R$ 2.100.
Com 40 anos, receberia R$ 3.000.
Os contribuintes individuais, ou autônomos, podem pagar 11% sobre o salário
mínimo em vigor e garante a aposentadoria por idade.
Se minha filha decidir estender a “fase mágica”
e persistir em seus sonhos acadêmicos, eu entendo.
Se gosta muito do que está fazendo ou tem
maior foco no dinheiro, eu entendo.
Na vida não podemos ter tudo é
preciso fazer escolhas.
“Conhecer a
si mesmo”.
Essa lógica entra em sua mente?
Agradeço a Nova Natural a oportunidade
dada a minha bebê.
Empresa séria, correta, desejo vida longa e muita
prosperidade.
Valeu!
.
.
Algum tempo depois...
Nota: Minha filha ficou na empresa até a fase dos vestibulares.
Na reta final pediu demissão e passou na Unicamp.
É a minha bebê!😊
✧✧✧
Resumo:
1. A influência da origem socioeconômica nos caminhos profissionais: Você argumenta que o ponto de partida financeiro molda as estratégias de carreira. Para quem vem de famílias com menos recursos, o caminho lógico e seguro para a ascensão social envolve a qualificação técnica e a construção de "raízes" estáveis dentro de uma empresa para conquistar respeito e cargos de chefia ao longo do tempo.
2. A vida vai além do retorno financeiro: Embora reconheça a importância do dinheiro, você defende que focar exclusivamente nele não traz uma vida satisfatória. O autoconhecimento é essencial para entender o quanto se tolera ou se gosta de uma atividade, pois a ausência de afinidade com o trabalho anula o valor das recompensas financeiras.
3. O investimento na vocação real quando há suporte familiar: Como sua filha demonstrava inclinação acadêmica e a estrutura familiar garantia o sustento de suas necessidades básicas, você argumentou que o caminho mais lógico seria ela não se desgastar com a efetivação no comércio e dedicar seu tempo e energia aos estudos e aos seus verdadeiros sonhos.
4. Mudança de paradigma diante das novas regras de aposentadoria: Com a definição da idade mínima de 62 anos para as mulheres (após a reforma de 2019), você apresenta o argumento lógico de que começar a trabalhar muito jovem perdeu a vantagem de antecipar a aposentadoria. Diante disso, o modelo de sacrificar a juventude para "aproveitar a vida" mais tarde tornou-se obsoleto.
5. A lógica de valorizar a "Fase Mágica": Você defende que a juventude é o período de maior energia, disposição e saúde, e que o futuro após os 55 ou 60 anos não é garantido. Portanto, o mais racional é aproveitar essa fase de transição (onde os pais resolvem os grandes problemas) para se qualificar e viver plenamente, em vez de ter pressa para entrar no mercado de trabalho formal.
6. Planejamento previdenciário estratégico e acessível: Utilizando a análise matemática das regras do INSS, você demonstra que começar a trabalhar mais tarde (por exemplo, aos 27 anos) ainda permite atingir o tempo de contribuição necessário para a aposentadoria por idade. Além disso, argumenta que o uso de contribuições individuais (como a de 11% sobre o salário mínimo) é um investimento de segurança barato e altamente recomendável para os jovens que fazem bicos ou para os pais garantirem o futuro dos filhos.
7. A necessidade inevitável de escolhas e autoconhecimento: Por fim, seu argumento central conclui que a vida exige renúncias, pois não é possível ter tudo ao mesmo tempo. Seja priorizando a estabilidade financeira ou o desenvolvimento acadêmico e pessoal, o indivíduo precisa se conhecer profundamente para tomar decisões conscientes e assumir os desdobramentos de suas escolhas.
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