quarta-feira, 10 de junho de 2026

Menino Aprendiz


 






 O menino que passou no jovem aprendiz.


  O menino chegou em casa com o papel na mão e um sorriso que não cabia no rosto.
  "Passei, mãe. Vou trabalhar de jovem aprendiz. R$ 750 por mês."
  A mãe olhou pro papel, olhou pro menino, olhou pro fogão.    E chorou.
  Mas não era choro de alegria.
  Era conta.
  Naquela casa de 4 pessoas, o Bolsa Família batia R$ 900 todo mês. 
  O aluguel era R$ 500. Sobravam R$ 400 pra comer, pra luz, pro gás, pro caderno do menino menor.
  Com os R$ 750 do menino, a renda da casa ia pra R$ 750.   
  Dividido por 4, dava R$ 187,50 por cabeça. Abaixo dos R$ 218? Não. Porque o Bolsa Família ia cair.

   Na regra nova de julho de 2025, com renda entre R$ 218 e R$ 706 por pessoa, a família entraria na Regra de Proteção: 12 meses recebendo só 50% do benefício.

   50% de R$ 900 = R$ 450.

  Antes: R$ 900 certos. 

   Depois: R$ 750 do menino + R$ 450 do benefício = R$ 1.200. Parece ganho.

   Mas é por 12 meses. No 13º mês, se o contrato do menino não renovar, a família fica só com o desemprego dele e zero de Bolsa Família. 
  Aí tem que voltar pra fila do CRAS, provar que tá pobre de novo, esperar 3 meses sem receber.
   A mãe fez a conta na cabeça mais rápido que calculadora.    
   Ela conhecia a vizinha que o filho foi mandado embora com 11 meses de trabalho.
   A vizinha passou fome até o Bolsa voltar.

   Ela dobrou o papel do menino, guardou na Bíblia e disse:    "Filho, a gente não pode arriscar agora não. Espera seu irmão fazer 18 ano e sair de casa. Aí cê vai."

  O menino entendeu. Guardou o sorriso no bolso junto com o papel. Foi jogar bola descalço na rua.

  No Brasil, às vezes, passar numa prova é perder. E mãe que protege filho da carteira assinada não é desnaturada. É só mineira fazendo conta com o coração na mão.

  Uai. É isso.

  A conclusão é com vocês …

  (Anna Marchesini é Educadora e palestrante)


William:  Os benefícios deveriam voltar a ser como antes, para situações distintas.

  Nosso sistema bancário é tão eficiente que não vejo problemas.
  Qualquer celular comporta cartão virtual.
  Com a IA vira melzinho na chupeta (baixo custo administrativo)

   O Bolsa Escola (Lei 10.219/2001) vinculava o recebimento de auxílio financeiro mensal à frequência escolar mínima de 85% de crianças de 6 a 15 anos de famílias com baixa renda
  Outros auxílios para família eram separados, de acordo com a situação.
  Bolsa Alimentação, Auxilio-Gás, PETI e Agente Jovem.

  No Bolsa Família a família NÃO PRECISA NECESSARIAMENTE TER CRIANÇAS ou adolescente em idade escolar.
  O PT juntou tudo e facilitou “esquemas”.
  A pessoa faz alguma atividade informal e sem registro oficial recebe também o Bolsa Família.

   Não estou criticando ter juntado tudo, com a tecnologia do passado fazia sentido.
   Com a de hoje pode ser repensado.

   Depósito de benefícios em conta bancária foi implementado pelo PSDB, Fernando Henrique.





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