sábado, 14 de março de 2026

Autoconfiança

 

Claudia: Você já se perguntou por que o caminho não se abre para o que você quer fazer na vida?
  Se nós temos uma estrutura social que foi feita para facilitar a vida.
  Se nós temos talentos e vontade de se autorrealizar na vida.
  Por que essa estrutura que foi feita para facilitar, não facilita?


William: Você já pensou em analisar casos concretos?
  Se tem um problema particular e quer tornar público faça isso.
  O que você tentou se "autorrealizar" e não conseguiu?

  A Ivete Sangalo (só um exemplo) tinha talento para cantar, tentou uma carreira de sucesso e conseguiu.
  Desde muito cedo ficou famosa.
  Porque isso não acontece com todos que tem a mesma vontade e talento?

  Não sei como esse tipo de mundo funcionaria.
  Cancelemos na canetada a lei da oferta e demanda!?
  O Governo disponibiliza (facilita) cursos de música e canto para todos que queiram.
  E absolutamente todos que concluírem ficarão tão ricos e famosos quanto a Ivete!?

   Esta tecnologicamente fácil gravar uma música e postar na Internet (divulgar). 
   Obrigar todos a gostarem da sua música e encher seus bolsos de dinheiro para sua autorrealização ... nem sei o que dizer ...


Claudia: Sim, estou analisando o meu caso concreto.
  Mas não querendo obrigar os outros a gostarem do meu produto. 
  Muito pelo contrário.
  Concordo totalmente com vc sobre oferta e demanda. 
  E é justamente esse o ponto sobre o qual estou girando.
  Acho que o erro é justamente esse. 
  Nós não aprendemos a ter autoconfiança suficiente para criar algo por conta própria.
   Nós não aprendemos a lidar com os sentimentos para não desistir quando nosso produto é rejeitado pela primeira vez.
   Não aprendemos a persistir até dar certo, até conseguirmos fazer algo que interesse aos outros.
  É justamente disso que estou falando. 
  A maioria não tem coragem. 
  Por que não temos coragem?


William:  "Nós não aprendemos a ter autoconfiança suficiente para criar algo por conta própria.
   Nós não aprendemos a lidar com os sentimentos para não desistir quando nosso produto é rejeitado pela primeira vez."

  😂😂 Desculpe, acho engraçado.
  "Nós" quem!?
   Essa pode ser uma característica "sua" não de todos os humanos.
   Criar alguma coisa geralmente demanda investimento de tempo e dinheiro é natural que quem tem juízo pese bem as consequências.
   Para maioria de nós o primeiro problema é falta de grana.
   Outra coisa, você pode persistir, jogar os mesmos números na loteria por anos, não tem nenhuma lei cósmica garantindo que um dia irá ganhar.
  Persistir não é nenhuma chave magica para o sucesso.
  Todos os anos centenas de empresas declaram falência, persistiram até onde deu, chega uma hora que não tem mais de onde tirar dinheiro.
  Já vi gente se enterrar em dividas por conta da persistência.

  Tive um pequeno restaurante por pouco mais de 2 anos.
  Foi a pior fase da minha vida adulta.
  Acabou com todas minhas economias de anos.
  O limite pra mim foi estar a ponto de pegar empréstimos em Bancos.
  Se não deu certo em dois anos, porque continuar tentando ... começando a gastar um dinheiro que eu não tinha pagando juros exorbitantes.
  Por vezes DESISTIR é o mais lógico a fazer.

Claudia: Sim. Nesse caso específico você está certo, desistir era melhor.
  Com relação ao “nós”, me refiro a mim e às pessoas que se identificarem com essa mensagem.😅
  Mas você acha que fica estranho eu dizer “nós”?     
  Seria melhor eu mudar para “alguns de nós”?

William: Eu só uso a palavra "nós" quando a exceção a regra nem faz sentido.

  "Nós da direita defendemos a propriedade privada."

  Se a pessoa se diz de direita e defende estatização generalizada ... não tem como ser de direita.

  "Nós enquanto povo somos mais à esquerda".

   Veja que não estou falando que sou mais à esquerda, mas que pertenço a um povo que é.
   Sou nascido e criado no Brasil.

   "Alguns ou muitos" ... fica mais apropriado quando nos referimos a um nicho o qual podemos ou não pertencer.

   Essa distinção pode parecer "chatice" da minha parte, mas filosoficamente muda muito a compreensão das coisas.

  "Nós não aprendemos a ter autoconfiança suficiente para criar algo por conta própria."

   De repente um adolescente que lê esse tipo de coisa passa a acreditar que essa é uma "lei da vida para todos" e se ELE não tem autoconfiança a culpa é de alguém que não ensinou.
  Daí vemos propostas de incluir aulas de autoconfiança no currículo escolar... o adolescente se vê como uma "vítima da Sociedade" que esta lhe negando ensinamentos ...





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 Resumo:


1. A Falácia da "Chave Mágica" para o Sucesso: Você argumenta que a persistência e o talento não garantem resultados automáticos. O exemplo da Ivete Sangalo serve para ilustrar que, embora o sucesso dela seja real, seria impossível e ilógico que todos que tivessem o mesmo talento alcançassem o mesmo patamar financeiro e de fama, pois o mercado é regido pela lei da oferta e demanda.

 

2. O Valor Lógico da Desistência: Contrariando o senso comum de que "desistir é para os fracos", você defende que desistir pode ser a decisão mais racional. Ao citar sua experiência com o restaurante, você pontua que insistir em um negócio deficitário, contraindo dívidas e juros, é um erro de julgamento que pode destruir o patrimônio de uma vida.

 

3. A Realidade Econômica sobre a Emocional: Você prioriza fatores concretos (falta de investimento, tempo e dinheiro) em detrimento de explicações puramente psicológicas. Para você, o fracasso de muitos empreendimentos se deve à escassez de recursos reais, e não apenas à falta de "coragem" ou "autoconfiança".

 

4. Crítica ao Coletivismo Linguístico ("Nós"): Você questiona o uso da primeira pessoa do plural para generalizar dramas pessoais ou de nicho. Para você, dizer "nós não aprendemos a ter autoconfiança" é impreciso e filosoficamente perigoso, pois transforma uma característica individual ou de um grupo específico em uma suposta condição universal da humanidade.

 

5. Responsabilidade Individual vs. Vitimização: Você alerta que, ao afirmar que "não nos ensinaram" a ter autoconfiança, transfere-se a responsabilidade do indivíduo para a sociedade. Isso cria uma mentalidade de vítima, especialmente em jovens, que passam a culpar o sistema por suas próprias inseguranças.

 

6. O Perigo da "Escolarização" de Sentimentos: Você critica a tendência de querer resolver problemas de cunho pessoal ou existencial (como a autoconfiança) através de currículos escolares. Ao transformar o desenvolvimento emocional em uma obrigação do Estado ou da escola, ignora-se a natureza prática e subjetiva dessas competências.

 

7. Rigor Filosófico na Linguagem: Você sustenta que a distinção entre "nós", "alguns" ou "muitos" não é apenas preciosismo ou "chatice", mas uma necessidade filosófica para a compreensão correta da realidade. A precisão nos termos evita a criação de falsas "leis da vida" que podem desorientar quem as lê.


  


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