Comentarista: Hoje (15/05/26)encerro meu ciclo de quase 11 anos na Marinha.
O que era um sonho virou um fardo pesado.
Saio porque meu senso de justiça rejeita o uso arbitrário do poder e a humilhação dos subordinados. Falta propósito real; a instituição foca em si mesma, exigindo exaustão por futilidades, como pintar quartéis sob o sol.
Enfrentei uma estrutura obsoleta com cobranças absurdas, o que me causou estresse crônico e burnout.
Percebi que só temos uma vida e recuso-me a adoecer por uma farda.
Não permitirei que um trabalho apague quem eu sou.
Deixo esse ambiente cinza para exercer minha vocação como psicóloga, priorizando minha saúde mental e minha família.
William: Preferi não comentar no vídeo dessa moça porque não tenho nada agradável para dizer a ela.
Mas minha analise deve servir para outras pessoas.
Nunca quis entrar para as forças armadas por entender que "não tinha perfil" para isso.
No dia que minha convocação foi confirmada (serviço militar) ... foi um dos dias mais tristes da minha vida, vim segurando o choro no ônibus, mas as lágrimas rolaram, não teve jeito, em casa desabei.
Meu maior problema era o financeiro.
Porém o que acontece nos quarteis não é nenhum segredo trancado a sete chaves.
A obediência a hierarquia é tudo.
Sou uma pessoa disciplinada, claro que respeito a hierarquia na vida civil.
Acontece que na militar é mais que respeito, é uma obediência cega.
Seu superior mandou, você executa.
(Não estou falando de casos extremos, evidente que tem limites, se o capitão mandar você roubar, eticamente não deve obedecer e pode denuncia-lo).
Não tenho nada radicalmente contra isso, lembrem-se que estamos sendo preparados para situação de guerra.
Tem gente que tem esse perfil da obediência cega, não precisa nem ser no exército.
Poder ser com relação a um líder religioso, a um politico idolatrado, a um chefe no trabalho civil mesmo...
Com 18 anos eu já me conhecia o suficiente para saber que idolatria, obediência cega, não é comigo.
Pois bem, a moça entrou por livre e espontânea vontade na Marinha com 19 anos, não foi uma convocação obrigatória.
Gente isso foi em 2015.
Tirando a IA popularizada, o acesso a informações era tão fácil quanto agora.
Que fantasia essa mulher criou sobre a Marinha!?
Até assistindo filmes de guerra vemos quanto o ambiente é rude.
Pintar parede sobre o Sol escaldante faz sentido.
Explico:
É pragmaticamente usar a energia dos soldados que são jovens.
Suponhamos que esta no programa de treinamento fazer uma hora de ordem unida (marchar).
Pintar a parede ou capinar o mato vai exigir a mesma ou mais energia e será util.
O corpo do soldado tem que estar preparado para exaustão, chegar ao limite físico e mental.
Forças Armadas em tempo de paz é isso.
Serviço burocrático para administrar as diversas necessidades.
São 77 mil militares na ativa, milhares de equipamentos, imaginem a estrutura para comportar tudo isso.
Os militares que colocam a mão na massa, estando preparados para algum confronto, é treinamento sem "retorno pratico".
Pense em um jogador de futebol, ele treina bastante, depois tem a partida de futebol.
O soldado treina bastante e depois "ainda bem" que não tem guerra.
Todo tempo que ele praticou rastejar (só um exemplo), pode nunca ser usado na prática.
A realidade não vai se moldar a sua fantasia.
Ela termina falando que vai se dedicar a psicologia ...
será que vai demorar 11 anos para entender que esta fantasiando de novo ... psicologia é uma doutrina, ciência passa ali de raspão...
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Resumo:
1. Autoconhecimento como critério de escolha: Você sabia aos 18 anos que obediência cega não era compatível com seu perfil , e por isso nunca buscou as Forças Armadas voluntariamente. A moça, ao contrário, entrou por livre escolha aos 19 anos sem esse autoconhecimento.
2. A informação estava disponível , não há desculpa para a fantasia: Em 2015 o acesso à informação era tão amplo quanto hoje. A cultura militar, sua rigidez e suas exigências físicas são amplamente conhecidas, inclusive pela ficção. A surpresa dela revela uma fantasia, não uma injustiça do sistema.
3. A obediência hierárquica militar tem uma razão de ser: Você não condena a obediência cega de forma absoluta: ela existe porque os militares são preparados para situações de guerra, onde a hesitação custa vidas. É uma lógica funcional dentro desse contexto.
4. Pintar paredes sob o sol tem propósito prático: O que ela chama de "futilidade" é, na sua análise, um substituto funcional ao treinamento físico: exige a mesma energia que exercícios formais, condiciona o corpo à exaustão e ainda gera utilidade concreta para a instituição.
5. As Forças Armadas em tempo de paz são estruturalmente burocráticas: Com 77 mil militares na ativa e enorme estrutura logística, grande parte do trabalho é administrativo e de manutenção. O soldado treina para uma guerra que , felizmente , pode nunca ocorrer. Isso é inerente à função, não uma falha.
6. A realidade não se molda à fantasia de ninguém: Seu argumento central: a instituição não tem obrigação de se adaptar às expectativas individuais. Quem entra precisa conhecer o ambiente previamente e aceitar suas regras , ou simplesmente não entrar.
7. A psicologia como nova fantasia: Você encerra com uma provocação direta: ela pode estar repetindo o mesmo padrão , idealizando uma nova área sem encarar suas limitações reais. Você questiona o estatuto científico da psicologia, sugerindo que ela pode demorar outros 11 anos para perceber que está fantasiando novamente.
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