segunda-feira, 13 de junho de 2016

Empresa Estatal vs Empresa Particular

  O brasileiro tem a percepção que o Governo é um bom empregador e a iniciativa privada uma exploradora.

  O que observo é que a grande maioria dos trabalhadores garantem “condições especiais” a servidores públicos sem ter nada que justifique essa atitude ... é mais uma falha da nosso cultura.
  “Na Câmara Municipal de São Paulo, técnicos administrativos, garagistas, auxiliares e assistentes ganham até R$ 24 mil brutos por mês.
  O salário médio é de R$ 8,9 mil por mês, sem contar gratificações pagas a guardas civis e policiais militares da Casa com vencimento mensal bruto de R$ 9.288,05. (Ano 2012)
  Um manobristas da garagem, ganha R$ 11.431,45.” [Rede TV/UOL]
  Quando o trabalhador da iniciativa privada conhece as condições de trabalho em alguma Estatal fica maravilhado.
  Geralmente para mesma função os salários e benefícios são bem maiores, ainda tem a desejada estabilidade, você sai se quiser ou aprontar algo gravíssimo.
  Por isso os concursos públicos são tão concorridos.

  Logo, o brasileiro tem a percepção que o Governo é um bom empregador e a iniciativa privada uma exploradora.

  Todos querem as condições de trabalho oferecidas pelo Estado então quanto mais estatais melhor. Certo?
  Errado, muito errado.
  Os administradores das estatais não se interessam em eficiência se interessam pela política.
  É a política que os coloca nos altos cargos não o mérito ou a competência.
  O administrador tem que ficar na boa com o político que pode lhe indicar e com os subordinados.
  Como vimos no texto anterior funcionários públicos e seus sindicatos são super poderosos o controle efetivo sobre eles é mínimo.
  O administrador ocupa o cargo por indicação política do primeiro escalão, mas nos outros escalões há outras indicações políticas e se o administrador não satisfazer minimamente a todos ele fica vulnerável.
  Vamos esquecer todas as maracutaias possíveis em licitações e contratos vamos nos concentrar em salários.
  Para satisfazer a todos o administrador paga o máximo de salários possível sempre encosta no teto.
  Porque?
  O dinheiro não é dele é dos impostos.

  Suponhamos que você tenha uma empregada em casa e de acordo com sua renda de vereador você possa pagar 1 mil reais a ela.
  É o que você faz, se ela quiser ganhar 1,5 mil reais não cabe no seu orçamento então você terá que demiti-la ou contratar outra que aceite o que você pode pagar.
  Mas e se essa empregada for paga pela Prefeitura da sua cidade?
  É só coloca-la como funcionaria comissionada.
  A situação muda de figura.
  Você dá o aumento, não vai sair do seu bolso e fica na boa com a empregada.

  Mais ainda, você é vereador e ganha 10 mil, mas as leis do país permitem que você ganhe 15 mil, qual de nós iria ignorar essa lei?
  Eu não iria. [Profissão de Fé]

  Fica claro que em Estatais os interesses políticos vem em primeiro lugar de uma maneira inevitável.
  Por isso nações mais eficientes privatizam o máximo que podem e focam a atenção nas poucas Estatais que sobram por necessidade ou “tradição”.
  "Margaret Thatcher privatizou muitas empresas na Inglaterra, mas não tocou na estatal de serviços postais que tem como logotipo a coroa da Rainha" [Diário do Comércio]
  De qualquer forma sobram menos empresas para o contribuinte acompanhar de perto a administração.
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  Por vezes vejo pessoas elogiarem os grandes feitos da Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Correios...

  É evidente que a estatal tem que funcionar ela não pode perder a razão de ser.
  Se a Petrobrás não produzir petróleo, qual a razão de existir!?
  Se a Eletrobrás não produzir eletricidade, qual a razão de existir?

  Se a Caixa não financiar nem imóveis para pessoas de baixa renda, qual a razão dela existir?
  A Caixa já fica com nosso FGTS pagando rendimentos abaixo da inflação 😲!

   A Estatal funciona e até realiza grandes feitos, mas com tanta política no meio a eficiência de uma Estatal dificilmente se compara a de uma empresa particular.

  Quanto mais Estatais menor e eficiência e menor eficiência se traduz em menor produção de riqueza

  “Produção de riqueza” esse é o nosso X da questão.

  Se você olhar para países que estatizaram bastante a economia não verá autos salários a não ser na elite do partido comunista.

  “O governo cubano reconhece que os salários baixos são um problema "geral" na ilha, mas enfatiza que os cubanos não pagam por serviços básicos como saúde e educação, enquanto muitos outros têm preços subsidiados.” [UOL]

   Por outro lado:

  “Fortuna de Fidel Castro supera de algumas realezas, segundo Forbes”
 
  Fidel paga bem também para os generais que cuidam da sua proteção.
  Fora a cúpula do partido, os cubanos em geral não tem muito o que comemorar.
  Não passam fome, não falta moradia, tem bom nível educacional, bom acesso a saúde ... para os que gostam de uma vida “franciscana” é o paraíso.
  Prefiro que a vida franciscana seja uma opção não uma imposição de algum sistema.
  Eu sou pobre, tenho acesso a tudo que os cubanos tem e muito mais.
  Não me vejo como uma grande exceção entre os brasileiros.
  Em reportagens vemos regiões de muita pobreza em nosso país e claro que elas tem que ser mostradas, mas você sabia que apenas 6% da nossa população mora em favelas e que nem todos que moram em favelas vivem na extrema pobreza?

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  Voltando a essência dessa meditação...

  Fica fácil concluir que quem banca a festa nas estatais é a iniciativa privada que paga doses cavalares de impostos.

  Me parece obvio que o objetivo de qualquer nação que pretenda a eficiência deve ser privatizar ao máximo a economia.
  O Estado deve focar em saúde, segurança educação ... eu acrescentaria fiscalização do Mercado.

  Essas áreas de atuação do Estado demandam muita gente então mesmo que o Brasil foque em áreas essenciais ainda assim teremos um contingente enorme de funcionários públicos.
  Não basta privatizar temos que acabar com a cultura de privilegiar servidores públicos em detrimento dos demais trabalhadores.

  Vamos a uma ilustração
  O prefeito da sua cidade gasta 1 milhão com merenda escolar por mês.
  É bastante dinheiro, mas se na sua cidade tem muitas escolas e crianças não é um número que a princípio chame atenção.
  No entanto você pega uma planilha de custo da prefeitura e vê que o leite que você paga 2,50 no mercado a prefeitura está pagando 4 reais.
  Caraca!
  Como a prefeitura compra em grande quantidade seria esperado até algum desconto, pagaria alguns centavos a menos do que você paga no supermercado.
  É natural que você fique indignado se sinta roubado.

  Vamos para outra situação
  A secretária administrativa de uma escola particular ganha 2500.
  A secretária administrativa da escola pública ganha 4000.
  Porque sua indignação não acontece!?

  Salários serem diferenciados por qualidade, produtividade eu entendo, mas a pessoa ganhar mais só por trabalhar para o Governo ... não entra na minha cabeça.

  Uma colega (Islaine) me perguntou:

  “Se não tiver uma grande vantagem porque que eu vou prestar concurso?”

  Em primeiro lugar se o Estado pagasse igual a iniciativa privada os concursos não seriam tão concorridos
  Você iria trabalhar para o Banco do Brasil em condições semelhantes ao trabalho no Bradesco, o importante para você seria estar empregado sem deixar de buscar melhores condições de trabalho e salários é evidente.

  A utilidade dos concursos seria de diretores/políticos  NÃO tomarem posse de uma empresa que é pública.

  Explico.
  Suponhamos que eu seja diretor do hospital Mário Gatti e tenha poder para contratar quem eu bem entender, na pratica eu viro dono da empresa.
  Sem licitações para fornecedores ou concursos públicos para funcionários eu mando e desmando, viro o Rei do pedaço com poderes quase absolutos.

  Todo cidadão deve ter igualdade de condições para ingressar em uma empresa pública e o único jeito de garantir isso é com a realização de concursos.

  O “Dono” do Bradesco contrata quem ele quiser, a empresa é dele.
  O BNDES é uma empresa estatal não podemos permitir que alguém tome posse como se fosse dono.

  "BNDES empresta 102 Milhões de maneira irregular a amigo de Lula." [Folha/UOL]
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  Não é possível que continuemos a ter duas classes de trabalhadores onde o servidor público seja muito melhor tratado que todos os outros.

  Não proponho mudanças radicais não gosto de revoluções.
  Nesse momento o mais importante é que percebamos a imbecilidade da situação.
  Você servidor que vive a festa continue com seus direitos adquiridos, não estou propondo mudar as regras do jogo para quem já está em campo.
  Eu mesmo, depois de toda luta para entrar não quero perder meus benefícios.

  Eu joguei pelas regras e quero que elas sejam respeitadas.

  Precisamos mudar as regras para novos contratados.
  Uma legislação que obrigue o Estado a pagar salários de acordo com o mercado.
  Mas cabe aqui uma observação.
  Se mudarmos apenas as novas contratações em bases mais racionais só vamos ter alguma melhora daqui a décadas, precisamos de ações mais urgentes.
  Privatizar o que for possível é uma medida de efeito rápido.
  O serviço público já está bastante terceirizado e deve continuar assim.
  Todas as Estatais poderiam terceirizar até 50% da mão de obra.

  Sei, sei, você está achando que eu caí em contradição separando trabalhadores em duas classes distintas.
  Essa seria uma medida de transição para aliviar nossos problemas atuais.
  Sem mexer com quem já está em campo, terceirizar, é um jeito de garantir o serviço sem redução de pessoal.
  Lembre-se que os novos servidores serão contratados com salários e benefícios a nível de mercado.
  No futuro os terceirizados seriam substituídos por concursados, mas com salários e benefícios como qualquer outro trabalhador.

  IMPORTANTE:
  Entenda que a terceirização no serviço público dá brecha a enormes falcatruas.
  A terceirizada que quiser participar pode ter que pagar propina ou ser empresa de fachada de “interesses políticos”.
  Sabe aquele prefeito que contrata a empreiteira do irmão, amigo ou dele mesmo, mas o próprio nome fica oculto...

  Fica claro que em se tratando de Estatais devemos ficar atentos a qualquer irregularidade.
  E se as Estatais não forem muitas fica mais fácil manter a transparência.
 
 “A diferença entre a empresa particular e a Estatal é que a particular é controlada pelo Governo, e a Estatal por ninguém.”
[Roberto Campos]

 Precisamos mudar isso!



Texto Complementar:  Por esses dias foi me dito que a “prova” que o Governo é melhor empregador é que todos querem trabalhar nele por suas condições de trabalho.
  O local não era adequado para o debate e preferi ficar em silêncio.
  Mas entenda que essas condições melhores são bancadas pelos impostos que recolhem da iniciativa privada.
  Se todas as empresas fossem estatais sem dúvida os salários seriam achatados e as condições de trabalho não seriam tão boas.
  Nos países comunistas como não tem empresas privadas para serem “vampirizadas” todos são funcionários do Estado e você não vê excelentes salários e condições de trabalho a não ser para a elite política.
  Muito do dinheiro que entra em Cuba vem de cubanos morando em países Capitalistas...eles mandam dinheiro para os parentes que ficaram em Cuba.
  A “exportação de médicos” para outros países lhes rendem um bom dinheiro.

  Entendam que os médicos cubanos que trabalham no Brasil são pagos com nossos impostos, não considero forçar a barra dizer que nossa iniciativa privada é vampirizada indiretamente por Cuba no programa mais médicos. [ kim-jong na USP]


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