sábado, 4 de agosto de 2012

Sete Anos

  “Todo o homem se descobre sete anos mais velho na manhã seguinte ao casamento.”
  [Francis Bacon]

  Todos sabemos que passaremos por fases em nossas vidas e até sonhamos que aconteça.
  Mas estar diante da tela em branco, “pintar” nossa vida, é uma emoção que não tem preço, é um oceano de possibilidades.

  Posso dar inúmeros exemplos, vou citar um que é comum a todos.
  Quando você é adolescente e não deu o primeiro beijo é um mundo de expectativas, um mar de possibilidades.
  Com quem será, como será, o que sentirei?

  Ninguém quer passar a vida sem dar o primeiro beijo, sem fazer a parte romântica da vida de alguém.

  O primeiro beijo vem e passa, seu objetivo agora é namoro, é sexo.
  É outra folha em branco na sua vida e mais um oceano de possibilidades as quais você fica fantasiando.

  Depois do primeiro beijo “envelhecemos 7 anos” [Para nos mantermos na provocação de Francis Bacon], passamos desta fase no momento seguinte em que damos o beijo, com o sexo é a mesma coisa, com o casamento também.
  Agora somos marido/esposa, logo seremos pai/mãe.
  Claro que queremos ser essas coisas, mas as fases que ficam para trás e que não podem ser revividas nos enchem de saudades.

  Não tem jeito, temos que viver a vida.
  Não tem jeito, ela vai escorrendo de nossas mãos.

  Quando minha esposa tinha 18 anos nem sonhava em me conhecer.
  Acredito que não está arrependida de ter casado comigo, mas duvido que não tenha saudades do seus 18 anos, sentimentalmente a vida tinha poucas escritas, uma folha em branco cheia de possibilidades.
  A cada mudança de fase envelhecemos 7 anos ou mais.
  Vivemos a vida ao mesmo tempo que ela escorre de nossas mãos, diminuindo nossas possibilidades.
  Ao olhar uma folha em branco minha alma se angustia, preciso escrever sobre ela e quando termino envelheci 7 anos, quantos anos eu tenho?
  Parei de contar nos 10 mil anos... você pode ser ainda mais antigo que eu.

  “Não me reconheço mais olhando as fotos do passado o habitante do meu corpo, este estranho dublê de retratos. Talvez até eu já vivesse em algum corpo emprestado.” [Leoni]
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