sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Trave II

  "1 - Você precisa ler o texto todo para entender o “espírito da coisa”,
O problema não é o dinheiro em si, é o amor ao dinheiro, é confiar nas riquezas.
 2 - Lembra de Abraão? De como Deus pôs a prova o amor de Abraão, mandando ele sacrificar Isaque? Pois é, Abraão era riquíssimo, mas Deus não mandou ele doar sua fortuna aos pobres, mandou sacrificar Isaque, porque era Isaque o tesouro de Abraão, onde estava seu coração." [Sombra do Onipotente]
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1 - Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus. Lucas 18:19

   “O príncipe ficou muito triste, porque ele era muito rico e, pelo jeito, o coração dele estava em seu tesouro e ele se afastou entristecido.” [Sombra do Onipotente]

    Lendo e relendo o texto não dá para dizer exatamente porque o príncipe se entristeceu, tanto que você escreve “pelo jeito”.
  Você deduz que ele tinha mais amor ao dinheiro que uma necessidade de salvação, mas ele pode ter discordado de Jesus e achado melhor não prosseguir com a discussão, não valia a pena.
  É como se alguém que “se diz filho de Deus” me pedisse para dar tudo que tenho aos pobres e eu discordasse disto, não entendo porque para alcançar a salvação tenho que ter uma vida totalmente despojada na Terra, com uma proposta tão sem sentido eu ficaria triste com esta pessoa, principalmente se tinha expectativas de ouvir uma FILOSOFIA de melhor qualidade. 

  Veja bem que Jesus não pede um dizimo, não pede metade, ele quer que TUDO seja doado aos pobres.

  Mais uma vez peço que o leitor se coloque no lugar do tal príncipe, coisa que não é muito difícil, imagine você ir a uma igreja e o pastor lhe pedir que doe absolutamente tudo e passe a viver na igreja, sim, há pessoas que fazem isto, mas não se preocupe com elas, pense em você, VOCÊ faria isto ou se entristeceria com o pastor?
Agora que pensou em você pense nas pessoas mais próximas, no meu caso minha esposa e filhas seriam duramente atingidas, no caso de eu ser dono de uma empresa muitas pessoas perderiam seu emprego.
  O texto Bíblico é muito curto, mas indo alem da historia você acredita mesmo que Jesus deu um ótimo conselho ao rapaz?
  Jesus poderia dizer, por exemplo, seja mais caridoso e persevere na Fé.
  Sei, sei, agora te deu um nó na garganta, você não pode discordar de Jesus, não pode discordar da FILOSOFIA dele, mas o príncipe não tinha certeza realmente que Jesus era quem dizia ser então ele estava mais a vontade para discordar...e aí entramos na segunda provocação...
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2 – Jesus já começa falando bem grosseiramente com o príncipe. O príncipe com educação e em reverencia chama Jesus de bom e Jesus diz que não é bom!!!
  Oras, porque Jesus e Deus não podem ser bons? Analise bem a frase e perceba que Jesus começou com uma grosseria gratuita [nos atendo ao texto], no popular seria algo mais ou menos assim:

  “Não vem com esta historia de bom, você nem me conhece, bom é meu pai!”

  Lembram de Abraão? Abraão teve contato direto com o Pai, com voz que vinha do Céu e tudo mais, não dava para Abraão ter duvidas sobre o poder de quem estava falando com ele.
  Vou dar um exemplo bem terreno para que fique fácil todos visualizarem.
  Imagine que um grupo terrorista muito poderoso esteja de posse de você e seu filho e lhe dê duas opções, você mata rapidamente seu filho ou eles o torturarão por 100 dias e depois o matarão.
  É uma situação trágica, mas você ciente de sua impotência, acredito que preferiria não trazer sofrimento desnecessário ao seu filho.
  Veja bem que Abraão tinha CERTEZA que estava lidando com uma entidade com grandes poderes diante da qual ele era totalmente impotente.
  Para o príncipe aquele homem na sua frente era alguém que se dizia ser filho de Deus, não dava para ter certeza disto, ainda mais diante de um conselho que o príncipe “pelo jeito” não julgou ser sábio. [Lembrem-se da DIALÉTICA, se o “pelo jeito” vale para uma dedução tem que valer para outra]
  Antes de ficarem indignados com o príncipe, mais uma vez peço que se coloquem no lugar dele se transportando mentalmente para aquela SITUAÇÃO.
  Esqueçam tudo que veio a seguir, naquele momento não havia ocorrido nem a crucificação, Jesus era um homem fazendo sermões, como um Henry Cristo ou RR Soares.
  Lembrem-se também que até os apóstolos que passaram longo tempo com Jesus colocaram em duvida sua divindade, Pedro o negou 3 vezes, Tomé só acreditou vendo, Paulo não conviveu com Jesus mas só se converteu ao ouvir uma voz e ficar cego...
  Dá para perceber que a situação do príncipe é muito, mas muito mesmo diferente da de Abraão.
  É como comparar o caso Nardoni [aquele que aparentemente a menina foi jogada da janela] com o de um pai que pratica a eutanásia vendo seu filho sofrendo com uma doença.

PS: Este texto teve uma grande repercussão no dia de ontem, muitas visitas, então achei por bem não fazer apenas mais um comentário. Achei também por bem não continuar o debate lá no Blog Sombra do Onipotente, meu objetivo é debater idéias e não ficar colocando a prova a Fé das pessoas.
  A lógica não alcança a mente das pessoas a não ser que elas SINTAM vontade de serem mais lógicas e isto acontece com alguém que freqüenta um Blog “Terapia da Lógica”.
  No Sombra do Onipotente a lógica não importa tanto o importante é a Fé.
  É evidente que Fé e Lógica não são antagônicas como propõe o Blog Razão X Fé.
  Só que aqui a lógica é prioridade e lá no Sombra do Onipotente a Fé é prioridade, então chegamos a um ponto de cisão onde o debate já não é mais possível.
  Quando a Bíblia [ou outro livro sagrado] cai em contradição quem prioriza a Fé deixa de pensar, para quem gosta de FILOSOFIA parar de pensar é muito difícil, quase impossível...

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