sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leitor de Mim

  “A matéria é má. Como pode a matéria aprisionar um espírito, se este é infinitamente superior a ela?”  [Júnior/GD Terra/2010]
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  Esta afirmação de uma matéria  má é fruto da subversão da lógica onde tudo que é “pecado” é vontade do corpo e tudo que é “santo” é característica do espirito.

  “O sexo é físico o amor é espiritual”, “o trabalho é a disposição do espirito a preguiça é a indolência do corpo”, “bens materiais são necessidades do corpo não da alma”...

  Como nasci em uma família cristã por anos tive este conceito de que dominar o mal era dominar as vontades da “carne”.
  Um pensamento começou a me incomodar quando notei que na Umbanda os “espíritos” tinham vícios atribuídos a “carne”. 
  Cheguei a conclusão que o corpo tem algumas necessidades  como qualquer maquina, mas toda vontade esta no espirito.
  Quanto ao espirito estar “preso” na carne é outra afirmação que abre inúmeras brechas, precisamos primeiro ter a certeza que não somos apenas maquinas biológicas.
   Se não existe alguma força vital que nos mova, não existe o que chamamos de alma ou espirito, logo o que não existe não pode estar preso.
   Mas se existe, se realmente  somos espíritos, então estamos presos?
  Todos nós podemos cometer o suicídio a qualquer momento, se podemos sair a hora que quisermos...essa noção de "prisão" é relativa.
  Sabemos meio que por intuição que é bom não sair, mas não que isto seja impossível.
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   Lembrei de um debate sobre fumo que tive com um grande provocador Ésio Lopes lá do GD Terra.
  Eu disse que não tem uma “equação Filosófica” que explique porque o corpo procuraria se entupir de nicotina, logo, a principio uma pessoa não começa a fumar por uma necessidade ou desejo do corpo, o corpo esta “limpo” de nicotina.
  SENTIMOS vontade de fumar por muitos motivos, mas não podemos atribuir nenhum deles a alguma necessidade do corpo, logo, isto vem da nossa mente ou espirito [como preferirem].
  Lendo este arquivo de 2010 gostei da sacada de por em xeque a noção de prisão do corpo.
  Realmente podemos nos libertar a qualquer momento cometendo o suicídio, não preciso nem dizer quantos textos isto gerou.
  Um dos melhores foi o que falava de uma prisão tão bem bolada da qual os prisioneiros tem medo de sair... mas fica para outro dia.
  Reler arquivos é muito fascinante é algo como sair do corpo  e me ver de fora.
  O dia 25 de outubro de 2010 não foi há tanto tempo assim, mas olhando daqui de 2012 parece um outro mundo.
  Claro que não me lembro exatamente de tudo que já escrevi e quando vejo os arquivos é como se eu fosse um leitor lendo algum escritor que não fosse eu mesmo.
  Vi por exemplo uns textos de 2007 onde eu ainda falava de Felicidade por força do habito, não que eu acreditasse na existência dela, hoje em dia eu evito ao máximo colocar esta palavra em algum texto embora em conversas informais ainda ela escape.
  Buscar a Felicidade é uma perda de tempo, hoje sou mais taxativo quanto a isto.
  Podemos colecionar bons momentos, momentos de prazer de alegria, mas é tolice achar que algo ou alguma coisa preencherá nosso “vazio existencial” nesta vida terrena, e nem temos certeza de como é ou se existe uma vida espiritual.
  Isto também fica para um outro dia...CARPE DIEM!

                    

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